Literacia Digital

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A literacia digital de acordo com Elicker e Barbosa (2020), permite ao aluno ampliar o conhecimento dos códigos e signos e usufruir os benefícios proporcionados pelas tecnologias, o que possibilita, ao mesmo tempo, ser consumidor e autor no meio virtual. Para ser autor, no universo midiático, o sujeito precisar criar e, para criar, ele precisa, além da alfabetização digital, da literacia digital.

O termo literacia digital foi citado com mais evidência, pela primeira vez, pelo professor e historiador Paul Gilster, em 1997, embora o termo já viesse sendo utilizado para ler e compreender as informações no hipertexto. O conceito de alfabetização digital, como o termo é agora, geralmente usado, foi introduzido por Paul Gilster, em seu livro de mesmo nome, no entanto, Gilster não forneceu listas de habilidades, competências ou atitudes definindo o que é ser alfabetizado digitalmente. Desde então, passou-se duas décadas de um forte crescimento dos recursos tecnológicos e da acessibilidade a eles, mudando significativamente o cenário global o que interfere culturalmente na formação social. 

E, atualmente de acordo com a American Library Association – ALA (2020), um sujeito com literacia digital é um sujeito com digital fluency e com digital citizenship, ou seja, com fluência e cidadania digital. O sujeito com literacia digital, tem fluência digital, que é um “conceito tripartido que constitui o pensamento crítico, a economia da rede e a diversidade – no centro da aprendizagem, a fim de criar uma estrutura pedagógica adequada aos hábitos de consumo de informação da era digital” (MILLER; BARTLETT, 2012, p. 35, tradução nossa ), e um sujeito com mobilidade social digital, com formação cidadã, é aquele que tem condições e habilidades para entender, desafiar e se envolver com a sociedade democrática, incluindo política, mídia, sociedade civil economia e lei. A sociedade precisa de pessoas dispostas e capazes de assumir responsabilidades, o que inclui os espaços digitais. De acordo com Hoskins, um Digital citizenship, ou cidadão digital, apresenta conhecimento: histórico, factual e funcional, apresentando:

• Habilidades: leitura crítica, debate, redação, escuta crítica, empatia e habilidades sociais;

• Valores: tolerância, não-violência, reconhecimento de direitos humanos e reconhecimento do estado de direito;

• Atitudes: eficácia política, confiança política e interesse político. (HOSKINS, 2006, p. 6 – tradução nossa).

A literacia digital abarca tanto a alfabetização digital quanto a fluência e a postura cidadã no ciberespaço. E, quanto maior o conhecimento dos códigos, maior mobilidade o sujeito terá no ciberespaço, que passou a ser “um mundo virtual da comunicação informática, um universo etéreo que se expande indefinidamente mais além da tela, por menor que esta seja, podendo caber até mesmo na palma de nossa mão” (SANTAELLA, 2004, p. 45-46). Para os alunos inseridos em um ambiente de aprendizagem, a escola necessita, além de alfabetizar, ensinar os códigos digitais. De acordo com a American Library Association (ALA, 2020, n.p.) “assim como a alfabetização informacional, a literacia digital exige habilidades para localizar e usar a informação e o pensamento crítico. Além disso, no entanto, a literacia digital envolve conhecer as ferramentas digitais e usá-las de maneira comunicativa e colaborativa por meio do engajamento social”. E esse processo deve ser conduzido, ou seja, o aluno precisa ser orientado a usar a tecnologia para desenvolver novos conhecimentos, como acontece no processo de alfabetização institucional. A Força-Tarefa de Alfabetização Digital da ALA (2020, n.p.) define a literacia digital como “a capacidade de usar tecnologias de informação e comunicação para encontrar, avaliar, criar e comunicar informações, exigindo habilidades cognitivas e técnicas”. No meio social atual, que envolve a escola, “há fortes evidências de que a web é fundamental para o aprendizado e a vida dos alunos, mas que muitos não são cuidadosos, discernindo os usuários da internet. Eles não conseguem encontrar as informações que estão procurando ou confiam na primeira coisa que veem. Isso os torna vulneráveis às armadilhas da ignorância, falsidades, contras e fraudes” (MILLER; BARTLET, 2012, p. 35, tradução nossa).

A prática pedagógica deve vincular o aprendizado à experiência e, quanto mais envolver o aluno nas atividades, maior será o aprendizado, assim buscamos, no universo do aluno, os recursos digitais disponíveis e utilizados por ele, e, partindo do conhecimento prévio dele, poderemos conduzi-lo aos novos.

O processo de aprendizagem digital exige um movimento contínuo de construção, adaptação e readaptação das informações, tanto do professor como do aluno, ou seja, deve ir além do digitar um texto e enviar um e-mail. É claro que esse conhecimento é útil, mas por si só não torna o aluno fluente. Para que se efetive a aprendizagem digital, o aluno precisa compreender o conteúdo, isto é, ter uma alfabetização digital, para se apropriar e estabelecer relações. Com a literacia digital, poderá se posicionar criticamente, e para ser digitalmente fluente envolve não apenas saber usar os recursos tecnológicas, mas também construir coisas importantes com eles. A literacia digital é um movimento contínuo de aprendizagem, em um processo de aprender a aprender continuamente.

Então, temos dois importantes passos: primeiro a alfabetização digital, que compreende e usa os códigos de forma básica, ou seja, é consumidor, em posição de usuário e, em segundo, a literacia digital, que é o sujeito que consegue, a partir dos conhecimentos, não apenas interagir, mas criar, e está em posição de autor, nos ambientes digitais.

Ana Elicker é Mestre em Letras e Doutoranda em Diversidade Cultural e Inclusão Social. Universidade FEEVALE. Bolsista CAPES. E-mail: [email protected]

Referências

ALA. American Library Association. Presidential Committee on Information Literacy: Final Report. [Online]. Disponível em: <http://www.ala.org/news/state-americas-libraries-report-2020>. Acesso em: 14 maio 2020.

ELICKER, Ana T.; BARBOSA, Débora, N. F. Literacia digital: projeto pedagógico cooperativo. Recife: Even3 Publicações, 2020.

HOSKINS, B. Draft Framework on Indicators for Active Citizenship. Ispra: CRELL, 2006. Disponível em: <https://www.youngcitizens.org/importance-of-citizenship-education>. Acesso em: 12 out. 2019.

MILLER, C.; BARTLETT, J. ‘Digital fluency’: towards young people’s critical use of the internet. Journal of Information Literacy, [S.l.], v. 6, n. 2, p. 35-55, nov. 2012. ISSN 1750-5968. DOI: https://doi.org/10.11645/6.2.1714. Disponível em: <https://ojs.lboro.ac.uk/JIL/article/view/PRA-V6-I2-2012-3>. Acesso em: 14 maio 2020.

SANTAELLA, L. Navegar no ciberespaço. O perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004.